sábado, fevereiro 05, 2005

A Universidade de Cabo Verde e as universidades em Cabo Verde

As universidades sempre desempenharam um papel importante em qualquer sociedade, estimulando o desenvolvimento intelectual, servindo-se de centro de formação de lideres sociais, politicos, religiosos e civis. Um lugar onde haja produção, reprodução e socialização de conhecimento, constituindo-se num elemento necessário ao desenvolvimento e progresso de qualquer país.

A Universidade Pública de Cabo Verde está a caminho. Esta surge após a decadência de um modelo de finaciamento de bolsas de estudos no exterior, o qual se via claramente que um dia não conseguiriamos suportar mais pois, os tempos mudam e as ajudas também. Pressionados pelo aumento da demanda de bolsas de estudos para o exterior por parte dos estudantes que terminavam o 12º Ano e sem conseguir dar vazão a todos os pedidos, o Ministério da Educação optou por abrir o mercado do ensino Superior em Cabo Verde para Institutos e Universidades privadas, tirando de suas costas o peso de um problema há muito anunciado.

Não sei se essa foi a melhor opção, ainda que a cada dia esses institutos e universidades (será que podemos chama-los de universidades??) continuam mais lotados. Uma coisa que sempre coloco em questão é a qualidade e o nivel de ensino repassado nestas instituições. Isso vai desde a carência de infraestruturas a falta de quadros minimamente preparados para lecionar. Como é que em Cabo Verde possa existir universidades (??) funcionando sem uma biblioteca adequadamente equipada para consulta dos seus alunos, sem falar de laboratórios e outros.

Será que a maioria desse pessoal que está dando aulas está, realmente, preparado para tal só com um simples curso de graduação (lembremos que toda a regra tem excepção), ou estão lá porque agora é chic em Cabo Verde ser professor ou professora de universidade e dá para ganhar um bom dinheiro no final do mês. Um dos papéis da universidade é pensar criticamente a própria sociedade em que está inserida, será que isso acontece aqui? Com certeza que essas são questões que devemos levantar, na medida em que isso tudo vai refletir na capacidade e na qualidade do aluno que está se formando e que por sua vez será um futuro quadro do nosso país.

Portanto, todo aquele cidadão ou cidadã que paga sua mensalidade ou propina, deveria exigir instituições que primam pela boa qualidade do ensino e pelo não aumento de custos para os estudantes.

Mas voltando a nossa Universidade de Cabo Verde, esta, surge numa época em que muitos países já estão falando em Reforma Universitária, por isso acredito que devemos analisar profundamente um modelo que adapte as nossas realidades. Ou seja, ter sempre em mente os valores e objectivos peculiares às demandas do nosso país, colaborando na produção e transmissão de conhecimento de forma a transformar e melhorar o nosso Cabo Verde.

Para que isso se torne possível, concordo plenamente com Fernando GALEMBECK e Luis Carlos Guedes PINTO em (http://www.adunicamp.org.br/jornal/projeto.htm) quando dizem que a "...autonomia, a pluralidade, o caráter público, o contato e a integração com o conjunto da sociedade, o compromisso com a liberdade, com a verdade e com a qualidade, a postura crítica, a inquietação e o inconformismo permanentes, a prática da democracia" devem permear a vida universitária.

Certamente o que menos queremos é que a Universidade de Cabo Verde seja mais um fator de custos, desigualdade e alienação social, mas sim um potencial para gerar novos valores, novas perspectivas, novas soluções.

Mas antes de ir embora queria deixar aqui um ponto para reflexão, algo que há algum tempo me inquieta e que dentro desse tema acho ser de extrema relevância. Será que vale melhorar a escolaridade de toda a população sem que isso seja acompanhado de crescimento econômico, geração de emprego e de renda?

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Aumentar o nivel da escolaridade de a b ou c, é sempre importante! Importante mas relativo, pois depende de onde é que se parte e a que nivel é que se chega.

Adquirir conhecimentos é sempre relativo. Pode-se fazer um curso superior numa Universidade mediocre sem biblioteca e numa cidade sem biblioteca, e a pessoa continuar semi-analfabeta.
Pode-se ter um nivel de instruçao liceal, ser inteligente, ter uma boa bilioteca em casa, nao ter curso superior, mas saber muito mais do que aquele que passou pela Universidade.
Alias, nao se aprende nas Universidades. Aprende-se até ao liceu e nas Universidades, desenvolve-se alguma competência tecnica ou dom.
A maior parte dos nossos universitarios, nao consegue falar em português de maneira inteligente, logico e consequente, durante duas horas a feio, sobre a Filosofia de Nietzsche, ou a Estética de Hegel ou a Metafisica da poesia de Joao Vario.
Entretanto esssa gente estuda e esteve na Universidade.
Outra vez o Germano, que diz por exemplo que so fala portugues e recusa-se falar o crioulo. Pois bem, Germano quando fala alinha palavras em portugues, mas nao tem um fraseado bem construido com ideias e conceitos.
Mas na sua cabeça de girino, ele està convencido de que porque escreve boas historias, sabe falar fluentemente o portugues.

Mentira, Germano, nao consegue falar assim de improviso do tema de Partido unico e do Totalitarismo, citando obras e classicos da matéria durante duas horas a feio em português!
Submetam essa gente à prova e hao-de ver que é so paleio. Talvez o Jorge Fonseca, mas esse domina mais a escrita, mas mesmo assim sabe falar, apesar de gaguejar, logo.....

6 de fevereiro de 2005 às 12:00  
Anonymous Nadir said...

Ora bem, concordo com tudo o que foi arriba escrito pelo "dono" do Blog. A Universidade de Cabo Verde vem em boa hora devido à falta que já se fazia sentir e é bom que as pessoas comecem a exigir qualidade daqueles que organizam e se responsabilizam pelos Institutos Superiores, ou como os queiramos chamar para que nela se possa vislumbrar qualidade e pertinência nas cadeiras a serem leccionadas. Ainda pensei em nao deixar p... de comentario algum, mas acho inadmissivel que um pequeno trogloditismo se abasteça das nossas frágeis cabeças e comecemos aqui e agora a atacar pessoas porque falam ou nao falam bem o português, porque escrevem ou nao escrevem bem textos. É incrivel como parece que "está na moda criticar Germano". É cada um que aparece com cada idéia que deixa uma pessoa "fulaz" de raiva. A socio-linguistica, essa irmã da linguistica mais apreciada por aqueles que entendem que o acto de comunicação rege-se pela capacidade de se fazer entender demonstra-nos que toda e qualquer discussão à volta de "o tipo fala bem, fluente e com palavras esdrúxulas" é uma realidade enganadora. Leia-se Noam Chomsky e como essa retórica nao passa muitas vezes de falácias. Vamos pensar a Universidade juntos e vamos todos trabalhar para que tenha sustentabilidade e exijamos professores bem formados e alunos melhor ainda, afinal, como se disse num outro artigo aqui exposto, eles são a razão de ser da Universidade.

18 de novembro de 2005 às 19:57  

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