quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Sobre a vaidade no campo acadêmico


Pessoal hoje m ti ta coloca li um texte k m otcha interessante, só pa se titulo gente ta oia k el é sugestive. M ta otcha k esse texto ta dente de linha de discussão de texte k foi colocode li ness blog antes. Ess texte é de Professor António Ozaí da Silva, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), membro do Núcleo de Estudos Sobre Ideologia e Lutas Sociais (NEILS – PCU/SP), do Conselho Editorial da Revista Margem Esquerda e Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo.

Esse texte foi trode de Revista Espaço Acadêmico, N 45 de fevereiro de 2005 www.espacoacademico.com.br .

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Ele entra na sala de aula e escreve o seu nome na lousa: Prof. Dr. fulano de tal. Durante sua brilhante exposição – de acordo com a sua própria opinião – um aluno, um tanto desatento às exigências hierárquicas e ritualísticas, lança-lhe uma pergunta. O problema não está no questionamento. O Prof. Dr. fulano de tal, do alto da sua sapiência naquilo que lhe dá o status de “o” especialista, tem resposta para tudo (e se não tem, enrola, pois quem ousará duvidar da sua autoridade?!). Não, a irritação que o Prof. Dr. fulano de tal expressa em seu tom de voz é uma reação à impertinência do aluno. E ele, o professor, deixa-o claro na resposta: “Aqui em sala de aula – e aponta para o escrito na lousa – sou o Prof. Dr. fulano de tal. Pobre aluno que ousou chamá-lo apenas de professor!

Ela é doutora, uma das poucas naquela instituição. Isto lhe parece garantir status diferenciado em relação aos demais. Os colegas comentam nos corredores sobre a arrogância da Profª Drª fulana de tal. Mas eles têm lá as suas vaidades e, no final das contas, a Profª Drª fulana de tal sabe que, embora não tenham o mesmo título, desempenham a mesma função – e quem sabe, sejam melhores naquilo que fazem! Por via das dúvidas, ela tem o cuidado de não ultrapassar certos limites. Muito diferente se dá em relação aos seus alunos. Estes, coitados, têm apenas como mérito a vitória no funil do vestibular. Para a ela isto não tem grande valor – e talvez ela tenha razão, pois não há correspondência direta entre memorização de conteúdo, inteligência e capacidade de reflexão crítica. Ela não admite intromissão dos alunos; os que ousam lhe dirigir a palavra são rispidamente colocados em seu devido lugar. A Profª Drª fulana de tal não admite, sobretudo, questionamentos sobre as verdades que verte diante dos pupilos. Os que insistem em questioná-la são silenciados e ela não hesita em usar adjetivos nada positivos para aquelas mentes em formação. “São uns burros! Estudem primeiro!” (Quem sabe quando tiverem doutorado possam conversar de igual para igual; o que não sabemos é se a Profª Drª fulana de tal ainda estará sobre ou sob a face da terra). Mas eis que os alunos decidem protestar e mostram que são inteligentes o suficiente para adotar uma estratégia cujo resultado é tão positivo quanto dolorido: o desprezo. Um belo dia ela se dirige à sala de aula e se vê diante de uma situação inusitada: a sala está vazia; os alunos e os móveis utilizados por estes estão na parte externa da sala; dentro, apenas a mesa da Profª Drª fulana de tal. A propósito para que serve o educador se não tem a quem educar?

Ele é um excelente professor. Domina o conteúdo e se impõe em sala de aula. Para ele, rigor científico equivale às grandes teorias expostas por autores que escrevem em estilo ininteligível para a maioria dos seres mortais. Para ler tais textos, e compreendê-los minimamente, seus alunos precisam recorrer aos dicionários das várias áreas do conhecimento humano. Ele não se importa, afinal já sabe e teve que passar por isso. Sua linguagem obedece à formação teórica, política e ideológica que teve: é igualmente ininteligível. Numa das suas aulas, os alunos conseguem trazê-lo para o mundo real e estabelecem acirrado debate sobre as eleições. Ele se vê pressionado pelo questionamento da sua posição política. Então, ele recorre àquele tipo de argumento aparentemente inquestionável e que finda qualquer discussão: “Vocês não compreendem, vocês só lêem o jornal Folha de S. Paulo”. Pronto! Em outras palavras: “Como ousam discutir comigo, eu que tanto li e que tenho a experiência dos anos? Cresçam, leiam os textos que li, estudem os autores que estudei e, então, talvez terão condição de me questionarem”. A vaidade dificulta o entendimento de que a retórica pomposa nem sempre dá conta de tudo; que a realidade é mais rica que a cinzenta teoria; e que, para se posicionar politicamente, nem sempre é necessário o domínio das teorias complexas. Sua atitude demonstra uma visão elitista e preconceituosa em relação ao conhecimento que não se enquadra nos cânones formais da academia. O professor perdeu o debate político, as estribeiras e do alto da sua alegada experiência, fundada no acúmulo de leituras, ele se mostra incapaz de manter o equilíbrio diante dos seus tão inexperientes alunos. Ele perdeu também a oportunidade de refletir sobre os vínculos entre a excelência do seu conhecimento teórico e a vaidade no inconfessável sentimento de superioridade.

Ela escreve mal. Seu estilo é panfletário. Uma eterna repetição de slogans e fórmulas desgastantes, recheadas por inumeráveis citações, argumentos de autoridade que, repisados à exaustão, demonstram pelo menos uma coisa: ela é leitora de um único autor. Sua verdade é a verdade revelada pela interpretação do texto sagrado. Ela talvez não tenha consciência do que faz, mas age como sacerdotisa de um culto profano. É a guardiã do dogma, é sectária. Mas... ela é sua Ex.ª a Drª., e tudo lhe será perdoado! Como disse Aquele cujo nome conhecemos: “Ela não sabe o que faz!” Ela continuará a associar as palavras e se imagina a auctoritate no assunto. Uma autoridade menor, é verdade; uma espécie de reflexo de uma luz maior e poderosa, isto é, a autoridade na qual se espelha e cita abusivamente. Ela propaga esta luminosidade, se nutre dela. Em sua humilde condição de discípula, ela se vê como o instrumento de difusão da energia que deve alimentar a humanidade. Todo o seu poder advém do autor sacralizado e dos seus livros canônicos. Não obstante, não esqueçamos: ela é a Ex.ª a Drª E isto lhe dá mais força em sua missão redentora; dá-lhe, ao menos, a condição de estabelecer um séqüito de aprendizes e guardiões do dogma. Seu profeta ainda não foi canonizado pela Santa Madre Igreja, mas foi elevado à altura dos cânones reconhecidos pelos profanos, os quais constituem várias igrejas – que polemizam entre si, mas se saciam nas mesmas fontes.

Ele escreve bem! Seu estilo é erudito e demonstra ruptura com os enquadramentos estanques entre as diversas áreas do conhecimento humano. Definitivamente, ele não é um especialista. O que o qualifica positivamente, pelo menos na percepção de alguns dos seus colegas, é visto como embuste pelos mexeriqueiros a postos. “É um charlatão!”, dizem as más línguas. Não devemos legitimar este tipo de comentário, nem participarmos do jogo mais antigo e preferido dos que passam a própria vida a falar da vida alheia. Contudo, como diz o dito popular, “onde há fumaça, há fogo”. Quando se escreve sobre tudo e todos, arrisca-se a perder o bom senso sobre a limitada capacidade humana em relação ao conhecimento. Assim, se tais injúrias nos chegam aos ouvidos, devemos ter o bom senso de pensar sobre o nosso proceder. Mas eis que entra em cena a vaidade: imersa em sua própria luz, sua Ex.ª o Dr. faz ouvido de mouco. E a sua fama atinge o ápice. Um olhar atento e não propenso aos mexericos poderia ajudá-lo a perceber que sua pretensa erudição não é suficiente para mascarar o conhecimento enciclopédico e dicionáristico; e, talvez o mais importante, poderia contribuir para que ele tivesse o bom juízo de não se imiscuir no que não deve. Mas quem ousará falar-lhe sobre tema tão complexo e, ainda por cima, tenha a capacidade de não ferir sua vaidade? O risco é que ele, embevecido, não o escute e ainda lhe atire a pecha de invejoso ou algo parecido.

Seja num ou noutro caso, o que escreve bem ou mal, é muito difícil tecer qualquer comentário sem ferir susceptibilidades. A propósito, há no meio acadêmico uma falsa identificação entre titulação e capacidade de escrever. O fato de o indivíduo ter o título de doutor não é garantia automática de que ele saiba escrever bem e, muito menos, que é um bom professor – no sentido didático e pedagógico. Escrever bem não é apenas juntar palavras e formar frases altissonantes. A suposta erudição demonstrada num texto ininteligível não é, necessariamente, uma qualidade intelectual; pode ser, simplesmente, pura afetação. A complexidade na linguagem muitas vezes caracteriza um exercício de arrogância, de pose acadêmica, relacionado à necessidade do intelectual em se firmar pelo status.

Mas, voltemos à sua Ex.ª o Dr. No fundo ele se imagina imune ao risível. Portanto, ele age com naturalidade, como se os simples mortais, incluindo seus alunos, fossem obrigados a pagar um tributo à sua titulação. Estes, por seu turno, projetam nele o futuro a ser alcançado. Suas atitudes passam a ser modelares – para o bem e para o mal. Além de modelo a ser seguido – ou repudiado – o Prof. Dr. fulano de tal, pela posição que ocupa na hierarquia acadêmica, tem recursos para manter aos alunos sob sua dependência.

É claro, há as exceções. Tomemos os exemplos acima como tipos ideais. Não significa que existam na realidade exatamente como descritos, mas representam espécies que podem ser encontradas na selva acadêmica. E, a favor, destes tipos, devemos acrescentar que: 1) a cultura e os valores predominantes no campo acadêmico são elitistas; 2) a universidade reproduz os princípios que fundamentam a competição na sociedade; 3) a vaidade é humana.

Demasiadamente humano

A vaidade é humana, demasiadamente humana! Eis um pleonasmo necessário. Sim, porque muitas vezes são precisamente tais características as que menos se tornam objeto de nossas reflexões – e não me refiro aos exercícios mentais filosóficos, sociológicos ou coisa do tipo, mas sim, a uma atitude que, me parece, deveria pautar nossas ações cotidianas. Comecemos por assumir que, em menor ou maior grau, todos somos vaidosos. Já os antigos, através do mito de narciso, ensinaram que o desejo desenfreado em atrair a admiração e a atenção produz conseqüências que podem ser trágicas. No limite é uma demonstração de tremenda sandice.

É incrível como, mesmo diante de situações nas quais a vaidade não faz qualquer diferença, os homens e mulheres não conseguem se livrar deste sentimento. O diálogo entre um jardineiro e o visitante de um cemitério, escrito por Alexandre Dumas Filho (2003:47), em A Dama das Camélias, ilustra bem este aspecto:

“Quero dizer que existe gente que é orgulhosa até no cemitério. Parece que esta mademoiselle Gautier fazia a vida, desculpe a expressão. Agora ela está morta e é igualzinha às mulheres que nada fizeram de reprovável e das quais regamos as flores todos os dias. Pois bem, quando os parentes das pessoas que estão enterradas ao lado dela souberam a vida que essa moça levava, revoltaram-se por ela ter sido enterrada aqui e disseram que deveria haver um lugar só para esse tipo de mulheres, como há para os pobres. O senhor já viu uma coisa dessas? Eu teria postos essas pessoas no lugar deles! Gente gorducha que vive de rendas, que não vem sequer quatro vezes por ano visitar seus defuntos, que traz pessoalmente as flores... e veja que flores! Eles reclamam dos gastos de conservação das sepulturas daqueles por quem dizem chorar, escrevem nas lápides sobre lágrimas que jamais derramaram e se fazem de difíceis, querendo escolher a vizinhança”.

Durante muito tempo acreditei que a morte nos igualava. “Pelo menos isso!”, pensava. Hoje, tenho consciência de a sociedade cria desigualdades que extrapolam o próprio caráter da finitude humana. Mas deixemos estes homens e mulheres de ares aristocráticos em seus próprios devaneios e retomemos o fio da meada.

Max Weber observou que a vaidade pode levar o político a cometer um dos pecados fatais em política, ou ambos, simultaneamente: se abster de assumir uma causa e do sentimento de responsabilidade. Se o político está sujeito à vaidade, o intelectual padece da mesma doença. “A vaidade é um traço comum e, talvez, não haja pessoa alguma que dela esteja totalmente isenta. Nos meios científicos e universitários, ela chega a constituir-se numa espécie de moléstia profissional”, sentencia Weber. (grifos nosso) Não obstante, o sociólogo alemão é condescendente com os colegas acadêmicos, pois considera que a vaidade do intelectual não oferece tanto risco à sua atividade quanto o que ocorre em relação ao político: “Contudo, quando se manifesta no cientista, por mais antipatia que provoque, mostra-se relativamente inofensiva, no sentido de que, via de regra, não lhe perturba a atividade científica”. (WEBER, 1993: 107) Será?! Para o estudante ou o colega que tem que suportar a vaidade desmedida, talvez seja o oposto que ocorra. Do ponto de vista puramente empírico, os que nos oferecem mais riscos são os que estão mais próximos!

Mas deixemos Weber em paz! Independentemente das suas formulações sobre a vocação do cientista e do político, o fato é que esta “espécie de moléstia profissional” grassa em nosso meio. E as pessoas sensatas talvez se perguntem: por que? Há, inclusive, a espécie de ingênuo que candidamente imagina que este tipo de comportamento é algo contraditório com o espírito culto que, em tese, permeia a universidade. “Como é possível?, se pergunta. Ele tem a esperança de que os colegas, através do diálogo e da persuasão, superem as influências nefastas que os fazem agir incivilizadamente. Como diria aquele personagem das histórias em quadrinhos: “Santa ingenuidade!!!”.

Todavia, observe-se que mesmo este tipo de ingênuo padece da mesma “espécie de moléstia profissional”: na essência sua postura é prisioneira de uma vaidade enrustida numa pretensa humildade; é uma atitude idealista, no sentido de que desloca a universidade – e os que nela trabalham – da realidade social na qual está inserida; é elitista porque, no fundo, se imagina como partícipe de um mundo constituído por seres especiais, dotados de moral e cultura superiores e capazes de escapar às futilidades humanas. Este personagem não se reconhece no mundo real e se escandaliza porque seus pares não representam o mundo imaginário do Olimpo. É vaidoso e talvez não o saiba porque lhe parece natural a vaidade de sentir-se superior!

Concluindo...

Se a vaidade é humana, não é possível compreendê-la apenas pelo senso comum quanto às atitudes observáveis no campo acadêmico. A sociologia pode contribuir para compreendermos este fenômeno. E isso talvez seja um bom começo para evitarmos repetir o que reprovamos nos outros. Mas, é claro, a sociologia – ou as grandes teorias, em geral – não são antídotos para tal moléstia. Um grande passo para quem deseje se curar é voltar-se para si mesmo e... mudar de atitude. No mais é necessário muita, muita, muita paciência!

[1] Em artigos publicados nesta revista procuramos analisar criticamente o vestibular e o método de ensino decoreba, um dos seus principais pilares, e que influi sobre todo o processo de ensino-aprendizagem, do nível fundamental ao superior. Ver: À mestra e ao mestre com carinho e compreensão!; O engodo do vestibular e os dilemas da classe média empobrecida; “Estudo Errado”: Qual é a capital de Kubanacan?; e, As dimensões da relação aprender-ensinar; e, Vale nota, professor?!

[2] Em certos casos, a complexidade das grandes teorias também pode ser um recurso para que elas se firmem, tornando-se áreas restritas à uma ínfima minoria de especialistas. Tais teorias, como assinalou MILLS (1982:30) na crítica a Parsons, padecem de “um formalismo complicado e árido, no qual a divisão dos Conceitos e uma interminável redisposição torna-se a principal tarefa”. É preciso traduzi-las. E, então, fica nítido que a sua complexidade é um recurso formalista, ou seja, que não é preciso escrever longos e ininteligíveis parágrafos para explicar as coisas simples. Os conceitos são necessários, mas é preciso relacioná-los com a realidade social e movimentar-se entre os diversos níveis de abstração. Em geral, a ininteligibilidade esconde o fetichismo dos conceitos e cumprem uma função excludente, gerando a ilusão de que o seu domínio torna alguns superiores aos demais.

[3] A necessidade de citar e recitar está vinculada a uma espécie de humilde sacerdócio. Como analisa BOURDIEU (1998: 162): “O sacerdócio comum cita e recita; o grande sacerdócio suscita e ressuscita. Pode acontecer que leve a audácia até o ponto de expor as discordâncias ou mesmo as contradições (é o caso de Abelardo) encontradas nas fontes de revelação”.

[4] A identificação com o ‘profeta’ não é apenas um exercício de sacerdócio, ela gera dividendos, isto é, ‘lucros’: “O eu sacerdotal deriva da autoridade do profeta de origem; todavia, por maior que seja a modéstia (condição de participação no capital herdado de autoridade) que o impede de falar efetivamente na primeira pessoa, ele não pode esquecer que possui algum mérito por restaurar o capital em sua integridade através da desbanalização, revolução da leitura que define a revolução letrada.” (BOURDIEU, 1998: 160 e 62) Ele é o instrumento de propagação da palavra, a qual, proferida por ele parece-lhe ter a mesma autenticidade daquela pronunciada (escrita) pelo profeta de origem: “O sacerdócio se instaura como guardião da autenticidade da mensagem, a única capaz de proteger contra a “recaída” nos erros...” [em relação ao profeta] (Id.: 162-63).

[5] “Só o discípulo faz legitimamente o “sacrifício do intelecto” em favor do profeta, como só crente o faz em favor da Igreja. Nunca, porém, se viu nascer uma nova profecia (...) em razão de certos intelectuais modernos experimentarem a necessidade de mobilizar a alma com objetos antigos e portadores, por assim dizer, de garantia de autenticidade, aos quais acrescentam a religião, que aliás não praticam, simplesmente pelo fato de recordarem que ela faz parte daquelas antiguidade. Dessa maneira substituem a religião por um sucedâneo com que enfeitam a alma como se enfeita uma capela privada, ornamentando-a com ídolos trazidos de todas as partes do mundo. Ou criam sucedâneos de todas as possíveis formas de experiência, aos quais atribuem dignidade de santidade mística, para traficá-los no mercado de livros. Ora, tudo isso não passa de uma forma de charlatanismo, de maneira de se iludir a si mesmo”. (WEBER, 1993: 50)

[6] Com enfatiza MILLS (1982:235): “Escrever é também pretender para si um status pelo menos bastante para ser lido. O jovem acadêmico participa muito de ambas as pretensões, e porque sente que lhe falta uma posição pública, com freqüência coloca o status acima da atenção do leitor a quem se dirige.(...) O desejo do prestígio é uma das razões pelas quais os acadêmicos escorregam, com tanta facilidade para o ininteligível”. Mas também é o caso do acadêmico já em idade avançada, que, por arrogância ou falta de criatividade, procura impressionar pela falsa erudição.

[7] A sociologia e, também a literatura e o cinema. Ver: Óleo de Lorenzo e Patch Adams: A arrogância titulada; Os intelectuais diante do mundo: engajamento e responsabilidade; e, Aqui jaz fulano de tal... e a sua superioridade!

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Vaidade, luxuria e mais vaidade! Nao é so no campo académico. Desde que o mundo é mundo, ou se quiser desde o Eclesiastes, para ficarmos com a referência biblica. O homem é so vaidade.

Essa dos canudos, sempre foi um mal que dizimou os nossos compatriotas menos inteligentes mas que tiveram oportunidade de passar por uma Universidade. O mal chama-se senhor Doutor. O que interessa é a aparência do conhecimento que o diploma outorga a esses senhores doutores.

Mas caramba, outra coisa nao quiseram, senao o titulo! Logo nao vale a pena estar-se agora com lamurias de que têm diploma e titulo e nao têm conhecimento. A vida é assim e o homem é o que é!

Veja-se por exemplo essa vaidade que vai pelo pequeno mundo das artes teatrais.

Fragoso estudou medicina, mas quer ser doutor é em teatro. De repente deu-se-lhe titulos de grande dramaturgo, sumidade da encenaçao teatral e nao sei que mais! Mas pergunte-se onde estao as obras teatrais de Fragoso? Onde estao as peças que ele encenou em Portugal onde esteve nos ultimos 20 anos?

Enfim, onde é que se viu Fragoso nos grandes festivais internacionais que se fazem pela Europa e América, se tivermos em conta, esses seus dotes de grande isto e aquilo da arte shakespeariana?

Vaidades minha gente, com esse escol que temos, mas que é conhecido apenas na esquina da nossa rua.

Fragoso de repente regressa para morrer no pais, e regressa com desaforo e ma-criaçao querendo humilhar aqueles que nos ultimos anos vao tentando fazer algum teatro. Fragoso diz que nao ha teatro em CV, porque ele nao esteve e agora é que vamos descobrir que temos mas com ele.

Mas entao e o teatro de Espirito Santo? E as peças encenadas por Joao Branco, que escreveu um livro sobre a historia do teatro, a dizer precisamente que sempre houve teatro em CV. Mesmo antes das "experiencias" de teatro de Fragoso, ha 25 anos.

Se ele é tao grande assim no mundo do teatro, por que é que ele nao é conhecido no mundo das artes cénicas em Portugal? Porquê?!

Vaidades, la diz um dos livros da Biblia!

9 de fevereiro de 2005 às 22:53  
Blogger jad said...

A equipa do SAPO.CV (www.sapo.cv) deseja contacta-lo, por favor, deixe o seu e-mail.

19 de junho de 2008 às 14:10  
Anonymous Anónimo said...

SINCERAMENTE, PARTICIPEI DE ALGUNS RITUAIS DE DFESA DE TESE, O SUFICIENTE PARA DESISTIR DE ENTRAR NESSA FOGUEIRA DE VAIDADES.
A BANCA- "SUPRA-SUMO DA SABEDORIA" SE EXIBE UM A UM ( COMO PAVÕES) AO ARGUIR O MESTRANDO E DOUTORANDO QUE FICA TREMENDO DE MEDO DE SER "DETONADO" POR ELES....
ASSISTI UM ESPETÁCULO DESSES NO QUAL A MESTRANDA
EXIBIA PAGINAS E PAGINAS DE NUMEROS E MAIS NUMEROS PARA PROVAR NADA....
NO FINAL, UMA DAS ARGUIDORAS ARREMATOU:"VOCE DEU UM TIRO DE CANHÃO PARA MATAR UM BEIJA-FLOR"
ACHO QUE ISSO DIZ TUDO: AQUELE TRABALHO IMENSO ERA TOTALMENTE INÚTIL....

7 de outubro de 2008 às 14:00  

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